E tu, o que fazes com os teus sonhos?

Sonho_Realidade

Pedro e Tiago estavam numa euforia desenfreada deixando a avó de cabelos em pé. Talvez fosse pelo avançar da hora, pela mágica energia que as crianças têm e voltam a ter – sempre – ou simplesmente pela falta da história antes de dormir. Não sei ao que se devia tal alvoroço, mas uma avó, como a deles, saberia certamente pôr cobro a tamanha agitação. Há horas que os ouvia e sentia na brincadeira ao invés de dormirem. Repreendeu-os várias e várias vezes; sem êxito. Naquela noite nada os detia, nada os parava, a não ser o tratamento de choque que a avó guardara para último caso. A avó entrou silenciosamente no quarto e de voz branda e doce, disse-lhes:

– Vamos lá meninos, sentem-se que vou-vos contar uma história.
Não sei se haverá sido a frase, se a palavra história, se o tom doce da voz dela mas, fosse o que fosse; teve um efeito milagroso. Sentaram-se os dois alinhados em cima da cama, de pernas aconchegadas e sossegaram de olhares postos nela, ansiosos pelas suas primeiras palavras. A avó começou:
– Há muitos, muitos anos, conheci uma menina. Uma menina de corpo franzino, de pele pálida e olhar tímido. Falava pouco e poucos eram os que lhe conheciam a voz. Essa menina gostava de aprender. Aprender principalmente a ler, a viajar nas suas histórias de infância, fazendo dos personagens seus companheiros de sonhos, acho que apenas eles lhe conheciam a voz. Vivera sempre no segredo do seu sonho, toda a vida sonhou… Sonhou em ser escritora! Em, também ela, criar personagens que a acompanhassem na sua timidez, na sua vida fora do segredo do sonho. Falava com o capuchinho vermelho e ensinara-lhe muitas vezes o caminho para casa da avó, avisara-a outras tantas da presença do lobo, chagara a pedir-lhe compota de morango.
Os miúdos não tiravam os olhos da avó.
– Esta menina, de quem vos falo, toda a vida sonhou em segredo, nunca contara a ninguém que queria ser escritora, tinha medo, receio de ser gozada. Contava apenas com os seus personagens de livros, os que a ouviam e lhe sussurravam afincadamente:
“Vamos lá! Tu consegues criar histórias! Tu és capaz, nós sabemos que és!” Era a voz deles que lhe ecoava no cérebro, sempre que sentia medo. Um dia essa menina, já adulta, resolveu despir-se de todo o seu medo e revelar o seu sonho secreto, quando num dia disse ao mundo que queria ser escritora. Poucos a levaram a sério, muitos a negaram, mas ao fim de alguns anos, foram esses muitos – que inicialmente não lhe deram crédito – os primeiros a renderem-se às suas histórias e que, no fundo, a ajudaram a realizar o seu sonho, fazendo dela a tão sonhada escritora.
O Pedro, o neto mais velho, fitou-lhe os olhos arregalados e perguntou-lhe:
– Oh avó, essa história parece a tua…
A avó soltou um leve sorriso e respondeu-lhe:
– Não meu querido neto, esta poderá ser a vossa história se não tiverem medo de revelar os vossos sonhos, se deixarem que o mundo se alimente deles ao invés de os guardarem em segredo.
Toda a força que possuis e desconheces, é impulsionada pelas emoções que te provocam os sonhos.

“Se podemos sonhar, também podemos tornar os nossos sonhos realidade”Walt Disney

Autor: Carla Pais – http://decarlapais.wordpress.com/

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About Carla Pais

Sou uma simples escrevinhadora que talvez viva dentro das palavras. Nada mais além disso.

Posted on 2013/03/06, in Motivador Pessoal and tagged , , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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